“Miserável”. Varandas ataca FC Porto e revela os 5 casos da reunião
Frederico Varandas falou à saída da reunião com a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, na sequência do clima de tensão vivido com o FC Porto

Depois da reunião com a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Frederico Varandas falou com os jornalistas sobre o que conversou com Margarida Balseiro Lopes em torno das polémicas que têm envolvido o Sporting e o FC Porto. À saída do Campus XXI (antiga sede da Caixa Geral de Depósitos), o presidente dos leões deixou duras críticas ao rival e mostrou-se indignado com o comportamento portista nos últimos cinco meses.
Para além disso, revelou os cinco casos que levou à reunião com a Ministra, bem como as perguntas que coloca a André Villas-Boas.
Reunião: “Queria agradecer a disponibilidade rápida da Sr. Ministra em reunir connosco. Estava presente o secretário de estado, o presidente da Federação Portuguesa de Andebol, se bem que o tema foi muito para além do episódio que aconteceu este fim de semana com o jogo de andebol. O Sporting entendeu que era importante falar com o topo da pirâmide que tutela o desporto porque desde novembro, em apenas cinco meses, vários acontecimentos mancham o desporto nacional. Foram vários os exemplos, mas quis esta reunião para apelar ao topo da pirâmide que abaixo tem presidentes de federação, de liga. O Sporting até está tranquilo porque apoio ambos para as suas eleições, mas ser presidente nestas funções não pode implicar uma boa relação com os três grandes. Esta tem sido a cultura não só destes presidentes, mas também do passado, de nunca querer tocar nos grandes. Estes acontecimentos , principalmente o último que afeta a integridade física de pessoas, foram graves e parece que foram no setor do turismo. Falo do caso de Fábio Veríssimo, do desaparecimento das bolas na reposição de bolas, roubo de toalhas de guarda-redes, da colocação de colunas no Dragão para abafar cânticos dos adeptos do Sporting e o caso do jogo de andebol. O que constatei desde novembro até hoje é silêncio total. A imprensa tem tratado este assunto como uma disputa entre Sporting e FC Porto, não há nada disso. O Sporting não tem problema nenhum com nenhum clube, o que está a acontecer é que há um clube que tem um modus operandis dos últimos cinco meses que tem uma forma de estar e uma atitude desportiva miserável, por parte de quem representa o clube. Os presidentes da federação e liga não dizem nada, sei que são pessoas sérias, mas ter valores também é lutar contra práticas que interferem na ética.”
Foi dito que são assuntos do futebol: “Não faz. Apoiei estas pessoas, mas aí discordo. Não faz parte do futebol roubar toalhas, esconder bolas, colocar uma armadilha na televisão… Grande parte, ou parte da comunicação social, coloca isto como se houvesse uma disputa entre dois clubes e os dois ao mesmo nível. Não. O Sporting reage, tenho de reagir. Quem me dera não ter de falar. Não queria falar. Mas se o presidente do Sporting não fala, fala quem? Se não for o presidente do Sporting, quem denuncia e critica isto? Apelei à senhora Ministra para falar com os presidentes das federações. Adoraria dar-me bem com todos, adoraria. Mas uma das funções, e basta olhar para o vizinho… Em Espanha há presidentes de Liga e Federação muito duros. Aqui não, não se toca nos grandes. Finge-se que não acontece nada e continuamos nisto”.
Apreensão com Clássico?: “O que se passou foi demasiado grave. Já sabemos que foi tudo uma invenção, tudo uma mentira. O treinador de andebol do Sporting encenou. O Moga também. A delegada, senhora Rosa Pontes, também foi ao balneário e teve de pedir assistências, foi assistida. Mas também inventou. Um colega vosso, penso eu do Record, que após o repto do FC Porto foi visitar o balneário, e onde estava a equipa do Sporting era um cheiro incomodativo, que provocava tosse e mal-estar…”
Como soube do incidente na Dragão Arena?: “Eu estava em Lisboa e começa o telefone a tocar, a dizerem-me que a equipa não queria jogar por causa do que estava a acontecer. Surreal. A federação naquele dia disse que havia condições, o Sporting jogou sob protesto. Até tenho umas cábulas para vos ajudar para colocarem estas questões ao presidente do FC Porto quando ele sair do edifício. Entregava-lhe estas perguntas para vir esclarecer os portugueses. E deixei isto à senhora Ministra para ajudar na reunião. Vim aqui sobre cinco casos concretos. Caso de Fábio Veríssimo. Pergunto, porque a resposta oficial do FC Porto ao Conselho de Disciplina foi que foi ‘um lapso’, que aquelas imagens eram para o balneário dos técnicos. Gostaria que fizessem esta pergunta ao presidente do FC Porto: se os técnicos do FC Porto ao intervalo de um FC Porto-Sp. Braga analisam lances do Fábio Veríssimo num jogo de infantis. Porque este foi o comunicado do FC Porto. Um jogo de infantis. Tudo o que está aqui, não foi o Sporting que disse. Foram declarações do Fábio Veríssimo, as vossas sobre o caso do apanha-bolas… E pergunto também o senhor presidente do FC Porto: já vamos com 2 meses do jogo do Dragão, mas o que tem a dizer sobre os apanha-bolas? Eu ainda não ouvi. Vocês também não ouviram. Outra pergunta: duas toalhas do guarda-redes Rui Silva foram roubadas por apanha-bolas. Também quero saber, e vocês deveriam fazer a pergunta, o que se passou. Quarta pergunta: foi dito pelo FC Porto, sobre as colunas postas junto aos adeptos do Sporting, que a situação estava relacionada com uma intervenção técnica pontual no estádio. Pergunto se o presidente do FC Porto pode detalhar que intervenção foi essa que calhou no jogo FC Porto-Sporting. Última pergunta para o presidente do FC Porto. E entreguei esta folha à senhora Ministra. Para ajudar a resolver este problema. A última era perguntar se o treinador Ricardo Costa, o jogador Moga, a senhora delegada da Federação de Andebol e se o jornalista do Record, estas quatro pessoas, inventaram todas esta história.”
Há pouco que une Villas-Boas e Varandas: “A coisa que separa mais não é o ganhar e perder nem ser o verde e azul. É a forma de estar na vida. No outro dia vi a declaração do treinador Farioli, que acho que foi a coisa mais acertada que já o ouvi dizer. ‘Não é por falar em ética que estamos no topo da ética’. E eu quero subscrever a 100 por cento. Sem dúvida nenhuma. Palavras todos temos. Palavras. O que conta são os atos e os gestos. O que conta é que no último jogo em Alvalade, quando o Sporting estava a ganhar 1-0, a equipa do senhor Farioli teve as bolas todas. O guarda-redes Diogo Costa, quando foi preciso, tinha lá as suas toalhas. Os adeptos do FC Porto não levaram com colunas nenhumas. O árbitro do jogo não leva com vídeos dos jogos de infantis. E como o senhor Farioli diz, e concorda, muito mais do que as palavras são os gestos. E quem faz o contrário do que disse, é ter falta de ética e cultura desportiva.”
Declarações de Paulo Bento sobre ajuda que o VAR deu ao Sporting: “Ajudou muito., mas é preciso que o VAR funcione e não esteja desligado em alguns campos. Mas o que gostaria que ficasse claro, agarrando no que nos separa, há um mundo que nos separa. Entre mim e o atual presidente do FC Porto. Mas temos uma coisa em comum: ambos somos presidentes e temos de tomar ‘N’ decisões ao longo do dia. E tenho a certeza que muitas das que tomo, umas são corretas, outras mais ou menos e outras erradas. Mas há uma coisa que nestes oito anos de presidência sei: é que quando chego a casa, chego e tenho a consciência tranquila que não traí os valores do Sporting, não envergonhei os sócios do Sporting. E uma coisa mais importante: não envergonhei quem educo em casa”.
Hjulmand pode tornar-se no Gyokeres 2.0: “Não vou falar disso. Depois do que disse aqui, não vou falar de transferências”.






