O Tribunal de Setúbal está a reavaliar o futuro de Zacharie e Barthélémy, os dois irmãos de 5 e 3 anos que foram abandonados numa estrada nacional entre Alcácer do Sal e a Comporta. A mãe das crianças, Marine Rousseau, perdeu definitivamente a guarda dos filhos e encontra-se atualmente em prisão preventiva.
Com a destituição das responsabilidades maternas, as atenções viraram-se para o progenitor, que permanece em França. Contudo, o regresso dos rapazes para junto do pai biológico enfrenta fortes obstáculos legais e práticos, motivados pelas atuais condições de vida do homem.
Condições de vida impedem custódia
Segundo fontes ligadas ao processo judicial, o progenitor vive num cenário de extrema fragilidade económica, habitando numa barraca e numa situação descrita como de “quase miséria”. Este contexto financeiro e habitacional impossibilita, para já, que a justiça lhe confie a guarda dos filhos.
Estas dificuldades financeiras explicam também o motivo pelo qual o homem ainda não viajou para Portugal para acompanhar os menores, uma vez que não dispõe de recursos para adquirir as passagens aéreas. A própria ausência de um teto condigno já tinha determinado, no passado, que o Tribunal de Família de Colmar apenas lhe concedesse visitas ocasionais e supervisionadas.
O motivo do anonimato
A挽recadação da identidade e o silêncio mantido pelo progenitor face ao caso prendem-se diretamente com a vulnerabilidade da sua situação social, e não com eventuais antecedentes problemáticos.
O futuro dos dois irmãos poderá depender de uma eventual assistência por parte do Estado francês, uma hipótese que os especialistas consideram pouco provável. Para obter a guarda dos filhos no futuro, o pai terá de se reerguer autonomamente e demonstrar estabilidade perante a justiça.


















