António José Seguro lamenta morte de João Canijo e fala em “vazio imenso” no cinema português
Candidato presidencial destaca legado humano e artístico do realizador que marcou gerações

António José Seguro reagiu com profunda consternação à morte de João Canijo, sublinhando a perda de um “cineasta maior” para a cultura nacional. Numa nota publicada nas redes sociais, o candidato presidencial apoiado pelo PS destacou a dimensão humana e artística do realizador, considerando que a sua morte deixa “um vazio imenso” no cinema português e no panorama cultural do país. (Saiba tudo sobre a morte, aqui.)
Para Seguro, a obra de João Canijo ficará para sempre associada a um olhar lúcido e corajoso sobre a sociedade portuguesa. “Os seus filmes deram voz a silêncios, expuseram feridas e revelaram emoções profundas”, escreveu, sublinhando a forma como o cineasta soube retratar a realidade sem complacência, mas sempre com humanidade. Uma marca autoral que, segundo o candidato, permanecerá viva na memória coletiva.
João Canijo morreu esta quinta-feira, aos 68 anos, perto de Vila Viçosa, no distrito de Évora, local onde dividia residência com Lisboa. A informação foi confirmada pela produtora Midas Filmes à agência Lusa, não tendo sido avançada a causa da morte. O realizador encontrava-se, nesta fase, a finalizar o filme “Encenação” e a concluir a filmagem de uma peça de teatro relacionada com o mesmo projeto.
Nascido no Porto em 1957, João Manuel Altavilla Canijo teve um percurso singular no cinema português. Depois de frequentar o curso de História, iniciou-se como assistente de realização de nomes maiores do cinema internacional, como Manoel de Oliveira, Wim Wenders e Alain Tanner. Ao longo de mais de quatro décadas, construiu uma filmografia marcada por histórias intensas, centradas em contextos familiares e em personagens femininas fortes, com títulos como Sapatos Pretos, Ganhar a Vida, Sangue do Meu Sangue e o díptico Mal Viver / Viver Mal.
O reconhecimento internacional chegou em força em 2023, quando Mal Viver venceu o Urso de Prata do Júri no Festival de Cinema de Berlim, ano em que Canijo recebeu também um prémio de carreira no Cineuropa e viu o filme ser escolhido como candidato português aos Óscares. António José Seguro encerrou a sua homenagem endereçando “sentidos sentimentos” à família, amigos e colaboradores, afirmando que o legado de João Canijo continuará a inspirar, inquietar e emocionar gerações futuras.






