O comentador desportivo Rui Santos defendeu o Sporting e criticou duramente André Villas Boas, comentando o clima recente no futebol português. Num tom incisivo, questionou o comportamento do treinador azul e branco, lembrando as queixas do presidente ao acionista da Media Capital, referindo que “a coação é crime”.
“André Villas Boas acabou de ver o Porto perder dois pontos no campeonato, que continua numa boa situação para chegar ao título, mas o nervosismo é latente (…) Até é possível que no caso do andebol seja difícil provar, ou talvez não, uma vez que o Ministério Público entrou em jogo, que alegados produtos tóxicos tenham provocado efeitos estranhos na cabine destinada ao Sporting”, começou por referir, no seu espaço de opinião na CNN Portugal.
R. Santos: “Mais grave ainda foi ter denunciado que foi fazer caixinhas ao acionista principal da Media Capital, Mário Ferreira”
Rui Santos não se revê no estilo do dirigente azul e branco: “André Vilas Boas pode tentar defender-se como quiser, até com a graçola de colocar um spa à disposição dos leões na próxima visita do Sporting ao Dragão para a Taça de Portugal. O problema é André Villas-Boas achar que todas essas coisas são coisas de menos e até ridicularizou o presidente do Sporting por ter levado esses episódios para a reunião com a ministra. Mais grave ainda foi ter denunciado que foi fazer caixinhas ao acionista principal da Media Capital, Mário Ferreira, por se sentir perseguido pela comunicação social”.
O comentador não poupou críticas ao comportamento do dirigente dos dragões: “Onde estava André Villas-Boas quando numa dinâmica de reconstrução ouvia palavras de elogio e de tolerância perante o trabalho difícil que estava a realizar sem resultados desportivos? Andava a falar com acionistas de grupos de comunicação social, andava a fazer pressão sobre a liberdade de imprensa, sabe que a coação é crime ou acha que esse tipo de condicionamentos fazem parte do futebol que é uma bolha dentro da democracia formal?”
Para finalizar, Rui Santos lançou perguntas contundentes: “Perdeu a memória em relação às perseguições de que foi alvo? Acha que vai apagar com uma borracha o direito que Pinto da Costa achava ter adquirido de morrer como presidente do Porto? Acha que ficar a meio da ponte é solução? Os direitos de liberdade cívica não são apenas para si. Não percebe que a confissão de ter feito uma chamada telefónica para um grande acionista de um grupo de comunicação de referência foi um tiro de canhão no pé, agudizando a ideia de que André Villas-Boas é tão pouco democrático como o são a maior parte dos presidentes de clubes em Portugal que só querem ouvir aquilo que as suas cartilhas ditam ou como parece não quer saber nada disso, mas ter tudo e todos controlados”.



















