Sporting

Intensidade competitiva, desagrado dos adeptos e crença no apuramento: tudo o que disse Rui Borges

Treinador do Sporting não ficou nada satisfeito com o desempenho da equipa no embate frente ao Bodo. Erros na Noruega são para corrigir rapidamente e há esperança numa grande noite europeia em Alvalade, na próxima semana

BODO – O Sporting foi derrotado (0-3) pelo Bodo/Glimt, na primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, e Rui Borges era um treinador altamente descontente no final da partida. Não só pelo resultado, que já de si é bastante pesado e deixa os leões em maus lençóis na competição, mas também porque a equipa não esteve ao seu nível.

— Como é que explica que a equipa não tenha estado nada ligada durante praticamente todo o jogo? Há 60 anos que o Sporting não vira uma eliminatória depois de ter sofrido três golos. Como é que convence os adeptos de que há realmente essa possibilidade?

 

— Não ligo ao passado. Estou focado no presente e não há impossíveis. Acredito que podemos dar outra imagem. Só podemos dar outra imagem, muito honestamente. Em relação ao jogo de hoje, a responsabilidade é do treinador. É minha, não é de mais ninguém. Tivemos dificuldades em vários momentos do jogo, em duelos, na pressão, deixámos ir o jogo para aquilo que o adversário queria. Na primeira parte tivemos muitas dificuldades em perceber as marcações, a variabilidade de posições deles, e isso criou-nos desconforto. Mas, mais do que isso, tem muito que ver com a disponibilidade. Era um jogo que iria exigir de nós muita disponibilidade física e não a tivemos. Não tivemos essa intensidade competitiva para nos batermos com esta equipa. Jogar bem não chega, principalmente nesta competição. Eles estão nos oitavos de final com muito mérito, ganharam a grandes equipas. Que nos sirva de lição a todos. A nós também, enquanto treinadores. Volto a dizer que sou eu que assumo a responsabilidade, a culpa é minha, sou eu que escolho os jogadores e assumo totalmente. Temos claramente de fazer mais e melhor, mas tenho a certeza de que o faremos nesse próximo jogo.

— No lançamento deste jogo disse que a eliminatória não ficaria fechada nesta partida. Foi surpreendido pelo Bodo/Glimt? Agora, depois deste resultado, quais são as hipóteses que o Sporting tem de seguir em frente?

— A estratégia do adversário não me surpreendeu em nada, estamos avisados para tudo o que aconteceu no jogo. Tem que ver com a nossa disponibilidade. Se não tivermos disponibilidade para jogar e para correr não adianta táticas, nem adianta nada. Faltou-nos a parte competitiva, volto a dizer. Temos de perceber o que temos de melhorar, se foi pelo cansaço, se foi pelo relvado. Perceber porque é que não fomos capazes de ter essa atitude competitiva. Porque tinha de existir. Deixámos o jogo entrar em transições e não queríamos. Isso é responsabilidade. Que nos sirva de lição a todos. A mim, porque assumo a responsabilidade, mas também à equipa. Os jogadores têm de sentir e perceber isso, porque estavam bem avisados para a energia que teríamos de ter perante esta equipa, que é uma grande equipa. Mas, para mim, a eliminatória não está fechada. Está difícil, mas não está fechada.

— No final do encontro os adeptos não ficaram agradados e reclamaram. Que mensagem pode deixar-lhes para a partida em Alvalade?

— Percebo a frustração deles, é natural e normal. Não estão mais chateados do que nós. Faz parte, não ganhámos. Peço-lhes que estejam lá no segundo jogo, precisamos da energia de todos, tal como temos precisado sempre ao longo do tempo em que eu aqui estou. Acredito mesmo que poderemos e teremos de dar outra imagem.

— Parece especialmente crítico com toda a equipa. É o pior jogo de se recorda de ver a equipa fazer? E o sintético, que influência teve?

— O sintético não é igual, mas não pode servir de desculpa. Claro que condiciona, especialmente uma equipa como a nossa, que gosta de ter bola, mas não pode servir de desculpa. A parte competitiva tinha de estar lá. Há jogadores que não estão no seu máximo, mas que temos de ter lá, mesmo não estando na sua plenitude física. O Luis Suárez é um exemplo, porque também não tínhamos outras soluções. Tínhamos o Nel, é certo. Mas o Suárez é um jogador decisivo e notou-se claramente que não estava com a mesma energia, porque tem alguns problemas físicos. Nós sabemos disso, quem está for a não sabe. Havia alguns condicionalismos, mas eu assumo a responsabilidade. A crítica é para mim, treinador. Se calhar não os escolhi bem. Vou defender sempre os jogadores. Eu dizer que tínhamos de ter outra atitude competitiva, eles sabem disso melhor do que ninguém. Não estou a dizer que faltou atitude, não é esse o caso. Tínhamos de ser diferentes e não fomos. Não chegava sermos iguais a nós próprios. A outra equipa, em termos físicos e de competitividade, é muito acima da média. O futebol está assim e nós hoje não estivemos dentro dessa exigência. É um jogo que não correu como desejávamos e acabámos por penalizados. Também podíamos ter feito ali um golo ou outro, mas o futebol é isto. Acredito muito, mas muito mesmo, que na próxima terça-feira faremos algo de diferente.

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